A existência de Deus por Kant e Hegel

Kant postula sua filosofia na teoria do conhecimento. O conhecimento é constituído de juízos seja eles analíticos ou sintéticos, No juízo analítico o predicado já está contido nos conceitos do sujeito. É o empírico, o aceito e comprovado o já pensado. Por outro lado os juízos sintéticos são aqueles em que os conceitos do predicado não estão contidos no sujeito. De acordo com a metafísica tradicional, a razão busca três conhecimentos fundamentais: a) a alma que é a síntese das vivências subjetivas, b) o universo síntese das vivências objetivas e c) Deus, síntese final e suprema.. Kant chega a uma conclusão que nenhum desses objetos pode ser conhecido pela razão pura. Pois todos eles estão além da experiência possível., de acordo com as condições acima citadas.
Como Kant não consegue responder a existência de Deus pela razão, passa, então, a explicá-la pela moral. Afirma que moralmente é necessário aceitar a existência de Deus. Assim, o que não se pode provar através da razão pura passa a ser um postulado da razão prática. Após abolir a Deus da ordem do pensamento e da realidade, postula a existência de um Deus justo que fundamente a relação entre virtude e felicidade.
Friedrich Hegel, um dos mais notáveis e difíceis pensadores alemães também tinha suas idéias com respeito a existência de Deus. Afirma que os cristãos não possuem liberdade, ao desenvolver o tema sobre a alienação do homem como busca de apoio no além quando o próprio homem se torna incapaz de construir a vida moral por si mesmo. O indivíduo, entrando no cristianismo, renuncia ao direito de determinar por si mesmo o que é verdadeiro, bom e justo, assumindo o dever de aceitar o que lhe é imposto pela fé.ainda que em contradição com a razão. A alienação é, para Hegel, sinônimo de escravidão e de opressão.. Hegel classificou a concepção judaico-cristã como relação senhor-escravo. O Deus transcendente é o senhor dominador; o homem é o escravo, sob o jugo de seu senhor.
Segundo Hegel, é insuficiente a consciência imediata de Deus. Diz que há dois caminhos para se conhecer a Deus: o empírico e o especulativo. No caminho empírico partimos do fato de que o homem sabe de maneira imediata da existência de Deus.. Segundo ele, todos os homens tem consciência de Deus. Mas, como há também a negação de Deus, torna-se problemática a prova da existência de Deus à partir da universalidade da idéia de Deus. Hegel diz ainda que Deu só é verdadeiramente no e para o pensamento. Por isso as formas do sentimento e da representação se movimentam para a esfera do pensamento, no qual a consciência religiosa chegará a si em seu conceito. O caminho especulativo do verdadeiro pensamento filosófico começa precisamente onde o pensamento empírico se perdeu, ou seja, na oposição entre o finito e o infinito, embora diferentes, indicam um para o outro. Se se disser o que é infinito, seja a negação do finito, diz-se o próprio finito. Da mesma forma, o infinito só é infinito, em relação ao finito. Cada um dos termos só pode ser definido em relação ao seu oposto. À partir desta situação, segue que cada um – finito e infinito – só é o que é porque existe o oposto. Cada qual , sob este aspecto funda-se no outro. O finito tem seus limites no infinito. Um é a negação do outro, sendo apenas através do negado. O infinito só é o que é pela negação finito. O infinito, por outro lado, só é como finito porque há no finito o infinito. A conseqüência, para a questão de Deus, é que Deus é igualmente o finito e o infinito, não se podendo isolar um momento do outro. Ambos formam uma unidade dialética. Nesta unidade permanecem, todavia, as diferenças. O finito é momento do processo do infinito. Deus entra no finito e retorna a si mesmo. Deus é Deus vivo através deste processo eterno.
Por fim Hegel considera importantes as provas da existência de Deus porque nelas o verdadeiro consiste em mostrarem a elevação do homem a Deus, um caminho obscurecido enquanto atribuído à razão. Hegel analisa em detalhes a prova tradicional da existência de Deus. Parte de um ser casual para fundá-lo num ser necessário. Fundamenta: “Porque existe finito, existe infinito”.

Pr. Armando Taranto Neto

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4 Comentários

  1. Schopenhauer

     /  18 de outubro de 2015

    Vejam a ironia: a sofística hegeliana, que originalmente se destinava a justificar o protestantismo, terminou originando o marxismo, o qual hoje se tornou o maior inimigo dos evangélicos!

    Hegel era o clássico charlatão intelectual, daqueles que embaralham o diálogo para defender que existem quadrados redondos, e, com isso, deu armas ao ateísmo marxista, que hoje combate a Igreja. Os marxistas culturais são o produto final da charlatanice hegeliana. Marx se apropriou da sofística de Hegel e a utilizou com fins contrários aos originais…e agora os cristãos colhe o fruto do que plantaram!

  2. Schopenhauer

     /  18 de outubro de 2015

    Frase absurda:

    “O infinito só é infinito, em relação ao finito”

    Isso significa que, em relação a outro infinito, o infinito que estamos considerando terá fim, o que é evidentemente falso.

  3. Arthur muito obrigado por participar de meu blog.

  4. Obrigado por sua participação.

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