Já tenho óleo ungido, a água de Jerusalém e a meia do apóstolo; prá quê Evangelho?

meia-do-apostolo

Por: Pr Armando Taranto Neto

Seria cômico se não fosse trágico, mas esta é exatamente a realidade contemporânea de uma grande parte dos ditos evangélicos do Brasil.
Infelizmente o ser humano é levado a crer naquilo que pode contemplar, experimentar, tocar, enfim, tudo o que envolve a empiria (Aquilo que deriva da experiência comum. Coisas que as pessoas aprendem vivendo. É uma forma de conhecimento derivado de experiências cotidianas, que provém de tentativas, erros e acertos).
O próprio discípulo Tomé não se convenceu de que o Senhor Jesus já havia ressuscitado e visitado os demais apóstolos e manifestou necessitar saciar seus sentidos “empíricos”, Jo 20. 24-28:
Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!
Alguns líderes, inteirados, então, desta necessidade comum da materialização da fé, usam e abusam da manipulação de seus fiéis, encarcerando-os em um labirinto sem fim, subjugando-os e ludibriando-os.
Não basta apresentar um objeto ou substância simplesmente, tem que imantá-lo, magnetiza-lo e relacioná-lo com algum local místico tais como: Jerusalém, Mar Morto, rio Jordão, Monte das Oliveiras, Monte Sinai ou até mesmo com o pseudo ungido líder e seus lenços, meias etc, encharcadas com suas secreções “Sacro Santas”.
Em suas reuniões, onde estes amuletos hierofânicos (do grego hieros (ἱερός) = sagrado e faneia (φαίνειν) = manifesto) pode ser definido como o ato de manifestação do sagrado. O termo foi cunhado por Mircea Eliade em seu livro Traité d’histoire des religions (1949) para se referir a uma consciência fundamentada da existência do sagrado, quando se manifesta através dos objetos habituais de nosso cosmos como algo completamente oposto do mundo profano.) são apresentados os mesmos são comercializados a peso de ouro e os pobres incautos são sugestionados de que, a posse do objeto replicará em benção e o contrário em maldição.
Nestes ajuntamentos não se faz menção das sãs doutrinas bíblica e muito menos do Evangelho de Cristo, quando mencionada a Palavra, ou lida, é sempre distorcida de forma a atender às demandas vorazes dos falsos profetas.
Sobre estes já nos prevenia o apóstolo Paulo em sua 2ª epístola a Timóteo cap. 3. 1-5: “Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis.
Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes.”
Talvez os adoradores dos “Patuás Gospel” da mentira não se voltem para a verdade pelo fato desta ser simples demais. É muito difícil crer no puro, cristalino, simples, transformador, saudável e revitalizador Evangelho de Jesus. É melhor optar pelo místico, sombrio, complicado, turvo, doentio e sinistro badulaque do líder embusteiro.
Feliz aquele que se libertou destes grilhões e entendeu que para saciar as mais profundas carências e vacuidades da alma basta o Evangelho do Cordeiro. Quanto ao resto….. Tudo não passa de poeira.
Finalizo este artigo com uma reflexão de Ronaud Pereira, que diz muito dos que fazem uso destes insanos “patuás”:
“Quem usa a inteligência como critério de avaliação para suas decisões ideológicas, deve também utilizar-se da mesma inteligência para compreender aqueles que preferem não utilizá-la – ou não conseguem utilizá-la – e optam por seguir crenças não racionais.”
Que o Senhor nos guarde.

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