O DÍZIMO NÃO É MAIS PARA NÓS

NAO

Por : Pr Armando Taranto Neto

Por várias vezes fui questionado se o “Dízimo”, tão referenciado no Antigo Testamento, encontra respaldo na Nova Aliança.
Primeiramente façamos uma correta hermenêutica de Malaquias capítulo 3 . 8-11, texto mais utilizado pelos líderes para criar o “Terrorismo Psicológico” nos fiéis:
Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação.
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.
E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos.

Os oráculos proféticos de Malaquias se iniciam com uma “sentença” contra Israel. Mas isto não nos dá o direito de afirmar ou doutrinar que todo o livro seja contra “toda” a nação de Israel. De início até dá a entender, mas no decorrer da leitura, no cap. 1, versos de 1 a 5, está registrado a grande dúvida do povo quanto ao amor de Deus. Só à partir do verso 6 surge, então, o verdadeiro objeto da sentença inserida no verso 1, “a divina desaprovação aos atos dos “sacerdotes”. Isto porque eles haviam sido chamados para serem os porta-vozes de Jeová e tinham, então, o dever de guardar o conhecimento e instruir o povo (2:7). Os Sacerdotes estavam se desviando dos preceitos eternos e, por suas instruções, muitos estavam incorrendo em erro (2:8). Sendo assim, foram responsabilizados pelos desvios e quedas de “muitos”. Pode-se deduzir que “muitos” que se desviavam eram quase a totalidade do povo, pois Deus não dá nomes ou aponta “quem” no meio do povo estava isento do juízo, todavia, é de bom alvitre lembrar que “muitos” nunca significou “todos”.
Logo, usar o texto acima como base Bíblica para “cobrança” de “Dízimos” e ofertas na Igreja é, no mínimo, falta de conhecimento histórico.
Todas as demais referências a “Dízimo” estão no Antigo Testamento, ora como primícias, ofertas, etc.
Surge então a questão:
Se o “Dízimo” foi uma atividade imposta a Israel no Antigo Testamento, para a manutenção do Templo e sacerdócio, como fica a Igreja, bem como as responsabilidades dos crentes em sua manutenção.
Primeiramente Jesus nunca determinou que um apóstolo “dizimasse” ou que ensinassem o povo a “dizimar” no estabelecimento da Igreja.
A visão cristã da Nova Aliança é primeiramente libertadora. Jesus sempre ensinava que por trás do “dinheiro” existe uma entidade que ele chamou de “Mamom” (Entidade Fenícia da riqueza e prosperidade). Disse, ainda, que não poderíamos servir a Deus e a Mamom ao mesmo tempo. Sendo assim, o Evangelho tem um aspecto libertador, uma vez que nos torna “Despossuídos” do dinheiro pela causa de Cristo.
Em Lucas 3.8-11 João Batista já dava as primeiras instruções ao preparar o Caminho da Nova Aliança dizendo:

Deem frutos que mostrem o arrependimento. E não comecem a dizer a si mesmos: Abraão é nosso pai’. Pois eu digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão.
O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo”.
“O que devemos fazer então?”, perguntavam as multidões.
João respondia: “Quem tem duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma; e quem tem comida faça o mesmo”

Se tiver 2 túnicas abrir mão de 1.
Bem, se temos 2 e abrimos mão de 1 , então 1 é 50% do total.
Aprendo que uma vez despossuído de Mamom não há mais limites para cooperar com o sofrimento do próximo bem como para contribuir com as necessidades do Reino e de minha Igreja local. Entendo agora que o “Dízimo” (10%) é uma fração muito pequena, e por que não dizer miserável de contribuição.
Àqueles que compreenderam a mensagem do Evangelho não são mais dominados pelo dinheiro, não são mais seus escravos, mas agora são seus senhores. Nada nos pertence mais; do montante que recebo ou tenho “TUDO” está à disposição do Reino. Não me contento em somente “Dizimar”ou ofertar, chame você como quiser, mas sinto a responsabilidade de também compartilhar meus bens, meu guarda roupas, minha despensa, minhas riquezas, com aqueles que não tem. Não suporto mais assistir as necessidades dos missionários sustentados pela igreja e vou repartir minhas “Túnicas”. Sou também, após este entendimento, um supridor das necessidades de minha Igreja e daquele que zela por minha alma, meu pastor.
Os despossuídos não precisam ser lembrados a ofertar, a doar, a abrir mão de seus bens em prol do Reino.
Os despossuídos são ofertantes compulsivos e contumazes.

Em At 2.41-45 na Igreja não se “Dizimava”, os irmão vendiam suas propriedades e o dinheiro da venda era distribuído para amenizar o sofrimento dos menos favorecidos:

Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas.
Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.
Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos.
Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum.
Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade.

Talvez possa parecer escândalo para você que está lendo, mas esta é a grande lição do Evangelho de Jesus.
Você quer ser abençoado?
Não disponha somente os míseros “10%”, o “Dízimo”, para o Senhor. Abra mão de 20%, 30%, 40%, de tudo pela causa do Reino.
Somente assim você experimentará a grande lei da Semeadura prometida por Jesus:

“Dai e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.” Lc 6:38

Sendo assim, só posso chegar a uma conclusão:
Essa negócio de “Dízimo”, realmente não é mais para nós.

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5 Comentários

  1. Ronaldo E#dson Buss

     /  9 de julho de 2013

    Paz do Senhor ! Após ler e meditar no artigo exposto “http://artigos.gospelprime.com.br/o-dizimo-nao-e-mais-para-nos/” ! Quero apenas indagar vossa senhoria acerca da exposição de Jesus ao escribas e fariseus a cerca do dízimo quando ele diz “…deveis fazer estas coisas (dizimar) sem omitir aquelas (juízo, misericórdia e fé). (Mateus 23.23). Ainda que no contexto bíblico tenham sido mencionadas ervas, pois os religiosos da época até das mínimas coisas (ervas) elas cobravam ou ensinavam que os judeus deveriam dizimar ! Abração !

  2. Caro Ronaldo obrigado por participar da discussão. Como vc mesmo disse Jesus falou com Escribas e Fariseus, seguidores da Lei e Judeus. Jesus então os orientou dentro daquilo que eles seguiam e criam. Por outro lado eu acho que vc não compreendeu o texto que escrevi. Em nenhum momento eu disse para não “dizimar”, muito pelo contrário entendo pelo evangelho que devemos abrir mão de tudo o que temos pela causa do Reino. Sabendo-se que cada um deve cooperar conforme o que propuser em seu coração. Um grande braço meu amado e seja feliz.

  3. Ronaldo E#dson Buss

     /  10 de julho de 2013

    Meu amado pastor ! Compreendi sim senhor ! Entretanto entendo que muitas pessoas poderão ficar confusas no tocante ao “entregar tudo”, sendo Deus Justo ao estabelecer o mínimo para todos ! Mas evidentemente que retirei do vosso texto a idéia de que devemos contribuir com “tudo” que pudermos e não somente com o “dízimo” ! Paz do Senhor ! Abração !

  4. Marcelo Paulo

     /  17 de julho de 2013

    Graça e Paz! Aleluia e Glorias a Deus, ate que emfim li um texto que fale justamente o que penso e pegando mais um exemplo da biblia, a viuva deu toda a moeda que tinha ou seja ela deu 100%… O que devemos observar nas igrejas é se esse 10,20,30,50 ou 100% estão realmente sendo investidos na obra do Evangelho de Cristo Jesus ( amai o proximo como a si mesmo ) ou esta sendo usado para viagens, moradias, carros, roupas, etc… para os lideres da igreja! Veja se o ministerio que vc frequenta tem missionarios pelo mundo, se tem alguma ação social para ajudar os necessitadas, os orfãos, ou para estas coisas eles ainda pendem mais ofertas, ofertas para os missionarios, ofertaas para comprar comida pro celeiro, ofetas e ofertas e ofertas…. Se a sua igreja não tem nada disso, então pegue a quantia que Deus colocar em seu coração, com amor, sem arrependimento e dê aos pobres… Quando Zaqueu diz que vai dar tudo que roubou aos pobres Jesus não diz pra ele assim: “naõa Zaquel isso deixa que eu façao, dê pra mim que eu distribuio”… ou qundo o jovem rico pergunta o que devo fazer e ele respendo “de aos pobres”, ele poderia ter dito, “de para mim a sua riquesa que eu darei aos pobres”…. Eu particularmente prefiro dar a igreja que congrego que ela eu sei que faz o que tem que ser feito e isso eu fiscalizo do que eu ir dar aos pobres, é uma tarefa a menos, mas se não tem certeza que estão fazendo isso, então pegue vc o dinheiro compre comidas, roupas, remedios, pague um talao de luz que vc sabe de alguem que esta desempregado, compre um remedio para um aposentado, com certeza Deus vai te recompensar ainda mais…. Penso tb que as igrejas não deveriam tirar por exemplo os R$ 65,00 de quem é aposentado com um salario minimo ou quem trabalha e ganha um salario minimo, muito pelo contrario deveriam dar a estas pessoas R$ 65,00, R$ 100,00 para ela compar um remedio por exemplo, pois na passagem que o Pastor Taranto coloca é pra dar o que tem e não o que não tem, eles mal se alimentam, nao conseguem comprar uma boa roupa, não conseguem pagar seus remedios, e assim por diante, e ainda tem que dar 10% pra igreja?????? A igreja é que tem que dar 10, 20, 30% pra eles terem uma vida rasoavel.

    Forte abraço Pastor Taranto, e fique na Paz de Cristo.

  5. Obrigado pela participação mano Marcelo. Deus te abençoe meu amado.

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