Pedagogia e Didática (Rancière e Bachelard)

A conceituação moderna de Pedagogia é a seguinte: Pedagogia é a filosofia, a ciência e a técnica da educação.
A Pedagogia possui alguns aspectos fundamentais que a classifica:
Aspecto Filosófico – Abrange os fundamentos da educação, como as relações da educação com a vida, os valores, os ideais e as finalidades da educação. Procura responder às seguintes questões:
– O que deve ser a educação?
– Para onde a educação deve conduzir as novas gerações?
Este aspecto procura regulamentar a educação de acordo com os valores de cada povo e de cada época.
Aspecto científico – A Pedagogia moderna se baseia nos parâmetros estabelecidos pela ciência, principalmente naqueles que estudam o comportamento humano.
Aspecto Psicológico – estuda o comportamento humano, tendo como base a natureza do indivíduo.
Aspecto Sociológico – A pedagogia sociológica está muito menos centrada no indivíduo e mais focada nos agrupamentos sociais.
Aspecto Técnico – Neste tópico a pedagogia se refere às técnicas educacionais, ao “como” educar.
O termo Didática é oriundo do grego “διδακτικέ” , que quer dizer arte de ensinar.
Didática, assim, primeiramente, significou arte de ensinar. E como arte, a didática dependia muito do jeito de ensinar, da intuição do professor, uma vez que havia muito pouco a aprender para ensinar. Esse jeito de ensinar, pelo que tudo indica, advém da capacidade de empatia do professor, que prende à sensibilidade de colocar-se na situação de outrem e, assim, melhor poder sentir e compreender a situação por que esse outrem esteja passando.
A Didática é uma disciplina técnica e que tem como objetivo específico a técnica de ensino. A Didática, portanto, estuda a técnica de ensino em todos os seus aspectos práticos e operacionais.
De mãos dadas à Didática está a Metodologia, que por sua vez estudará os métodos de ensino, classificando-os e descrevendo-os sem fazer juízo de valor.
Na pedagogia moderna aqueles que têm a responsabilidade de ensinar ( o corpo docente ) devem seguir normas e técnicas de ensino bem como orientação e controle de ensino-aprendizagem. Ou seja, o professor vai executar somente aquilo que planejou, esta etapa visa orientar o aluno a alcançar os “objetivos propostos” (não transcende), o aluno é orientado a fazer somente aquilo que está proposto pelo currículo do professor.
Surge, então a questão: Transmitir conhecimento é o mesmo que produzir conhecimento?
Claro que não! Ao se transmitir o conhecimento exatamente segundo o “currículo” não se permite a libertação do aluno, ao contrário formata-o. Quando o professor “ensina” o aluno está exatamente criando mais um clone seu, com as informações limitadas e atreladas ao sistema metodológico pré estabelecido.
Um professor emancipado não ensinará o aluno através de explicações; ele não se preocupará em “explicar a matéria” e sim complicar, instigar o aluno a buscar o novo. Aluno e professor se unirão para produzir o conhecimento.
Ao se estabelecer os pontos a serem alcançados no processo educacional atual, não se tem a preocupação de levar o aluno a ultrapassar os limites do conhecimento, o (∞) infinito, o não pensado, o “ilógico”, fato este que acabará embrutecendo-o.
A didática deixa de ser arte quando cerceia a capacidade de criação do aluno.
Rancière defende que a emancipação do homem tem início à partir do momento que este rompe com todos os paradigmas estabelecidos. Não está preso ao já conhecido, ao trivial, ao corriqueiro, ao óbvio, às tradições, às técnicas muitas vezes ditadas pela própria cultura; nem tampouco se submete à figura do ensinador, cuja função principal é perpetuar o tradicional “moto perpétuo” da dominação. Afirma, ainda, que a figura do explicador tem cunho “embrutecedor”, uma vez que vai programar o aluno a fazer exatamente como “deve ser feito”, mais um “clone “ seu . Como dito certa vez pelo professor Luiz:

“- Certo professor disse a um aluno: “- Você tem toda a liberdade de criar, desde que o resultado seja o tradicional”; Ora, se persiste o Tradicional não há criação. A criação está completamente desconectada da tradição. A tradição engessa a criação”

Fortalecendo a afirmação de Rancière tome-se por exemplo a rede de “Fast Food” “Mac Donald”, que na década de “50” inovou e rompeu com todas as tradicionais embalagens das batatas fritas, que eram acondicionadas em saquinhos de papel, e começou a vendê-las em caixas de papelão. No início foi um espanto generalizado. Houve acirrada crítica da concorrência, mas no final o inusitado venceu. Hoje, toda a loja de “Fast Food” que se preze acondiciona suas batatas fritas em caixas de papelão.
A teoria de Rancière seria de todo proveitosa se não incorresse em um problema, que o sujeito não criará seu próprio objeto, mas que apenas criará novos caminhos para alcançar o “velho” objeto, O “Trivial”.
Para Gastón Bachelard a emancipação não é uma influência que vem de fora do sujeito, mas está no sujeito, não é imposto ao sujeito, mas é uma perspectiva que permeia este sujeito. Somente será alcançada à partir do momento em que este se desprender da dominação dos sentidos. Para o sujeito criar seu objeto ele deve aplicar sua imaginação poética. O sujeito emancipado aprendeu a não se fixar nas imagens conhecidas, bem como nas causas ou coordenadas prefixadas. Bachelard estabelece que a faculdade imaginativa poética é a condição “sine quanon” para a emancipação do homem na produção do conhecimento. Foi o que aconteceu com o conhecido Bill Gates, que em sua garagem divagou, “viajou” e imaginou livremente a dimensão virtual e criou a bilionária “Microsoft”.

Pr Armando Taranto Neto

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1 Comentário

  1. antonio

     /  19 de junho de 2011

    Muito bom,continue nos privilegiando com este tipo de material.antonio

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