Sombra e Luz em Platão

Sombra e Luz em Platão

No texto “Sombra e Luz em Platão”, G. Lebrun diferencia a interpretação da “visão” entre Platão e Descartes. Sendo elas:

Para Platão a visão é o único sentido que se faz necessário um terceiro elemento, o Sol, assim como para chegar ao conhecimento, se faz necessário um terceiro elemento, o bem, pois se isso não ocorrer à exposição não passará de um espelhamento de saberes desconexos. Encontraremos esse paralelo entre o olho e o espírito na “analogia solar”no livro VI da republica. “A visão, como já sabemos, precisa de luz, sem a qual desaparece” (GÉRARD n.d. p. 403). Para Platão: “a visão não é um paradigma do saber. O único paradigma do saber é a luz.” (GÉRARD n.d. p. 405)

Platão luta contra o sensu comum, “Para sair da amathía[1], é preciso não apenas “virar a cabeça” e “violentar-se”, mas sobre tudo deixar que o educador use de violência. Pois não há, aqui “razão natural” à nossa disposição.Para Platão de natural só há a desrazão. É preciso obrigar aqueles que são capazes (e estes não são muitos) a olhar alhures.” (GÉRARD n.d.)

Sabedoria humana seria o foco luminoso para Descartes que se opõe à “uma tradição (Platão e Agostinho) a qual o espírito humano só é capaz de apreender seu objeto se estiver iluminado por uma luz cuja a fonte ela não traz em si, mas lhe vem de um foco luminoso transcendente (a idéia de bem, deus).” (GÉRARD n.d. p.401)

Descartes acreditará na condução do individuo, paideía, porém não declarará guerra ao sensu comum. ”O único defeito do vulgo é o de contentar-se com conhecimento sensíveis, que recebeu pela visão ou pela audição (os ensinamentos dos mestres). Mas o exercício do método porá fim a esse estado de ignorância (ágnoia) fazendo-o concentrar sua visão “nos princípios comuns e os axiomas” que ele, até agora, “não se preocupou em considerar” (GÉRARD n.d. p. 410)

[1] “Nada saber e crer que sabe”

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